Alguma vez se viram num ermo perdido algures por esse Portugal e tiveram que encostar o carro, abrir o vidro e pedir indicações a um grupo de idosos sentados à sombra a bater uma sueca? Se já, então sabem que o resultado é extremamente parecido com o retratado pelo famoso sketch dos Gato Fedorento.
No entanto não é só a nível de dar indicações que o povo português escassa em clarividência e concisão. Tome-se já o quase fora de moda caso do novo aeroporto. É para a Ota? Não porque há que terra planar um
monte primeiro (ainda bem que repararam a tempo!). É o 1+1 proposto por Paulo Portas? Não pois é desprestigiante para Lisboa não ter um grande e uno aeroporto como as demais capitais europeias (ainda no outro dia juro que ao atender o telefone apanhei uma linha cruzada em que o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o Mayor of London mediam e comparavam os seus aeroportos a ver quem tinha o maior, Lisboa perdeu). É Alcochete a opção certa? Não, na margem sul
“jamais!” já que não passa de um deserto. Ah calma! Afinal é mesmo Alcochete dizem os doutores.
Agora temos a nova indecisão do semestre, a 3ª travessia sobre o Tejo. Há que manter os engenheiros a trabalhar e agora temos não só uma proposta apresentada pelo Governo, como temos também 4 alternativas propostas pelos demais gurus da engenharia e lobbies da construção civil. Por mim tudo bem, sinceramente acho que não me afecta de modo algum a decisão do Governo no tempo presente, apenas no futuro distante quando pesar sobre os meus impostos, mas eu nem penso sobre nisso.
Porém, estes maus hábitos de indecisões ou ofertar alternativas gratuitamente sem ninguém ter pedido nada contagiam os nossos imigrantes, e eventualmente acaba por causar transtorno à minha existência. Há dias, num típico almoço num restaurante chinês com o típico grupo de amigos com quem se almoça no restaurante chinês (de entre os quais se inclui Indigo, o Artista), a empregada pergunta-me o que eu quero para ementa. Eu vou sempre para o mesmo: “ Era um porco doce”, disse eu resolutamente. A resposta da senhora foi: “Sim, se quiser é porco doce mas também pode escolher pato com ananás”. Olhe obrigadinho, estamos num país livre, se quiser posso escolher uma das 120318319237 combinações de menus que oferece na sua ementa, eu sei disso, mas por agora, traga-me lá o porco doce que eu estou com fome.
David Jocoso
P.S. A tarefa mais complicada na manutenção de um blog não é o dar-lhe o nome, é antes escolher o título apropriado para cada post.